Espetáculos






O Baú – Lembranças & Brincanças

O espetáculo surgiu a partir da vontade de trabalhar com uma dramaturgia própria, relembrando a nossa própria infância e colocando-a em relação com a infância atual. Através de estudos, improvisos, lembranças; do olhar atento pela rua; da criança que fomos e a que queremos; do sonho e do riso; e do reconhecimento do quão valioso é ser criança, ter infância, se divertir, transgredir as normas vigentes. Antes de tudo, o espetáculo é um enaltecimento a infância, uma peça para criança e sobre a criança.

A montagem para o público infantil, que estreou em 2011, recebeu os prêmios Tibicuera de Teatro Infantil de Porto Alegre nas categorias de Melhor Direção, Melhor Dramaturgia e Melhor Espetáculo Júri Popular. Atualmente o espetáculo já atingiu a marca de 10 mil espectadores em mais de 80 apresentações realizadas.

A peça conta com um material pedagógico disponível para o trabalho com escolas.

Sinopse

Dindim recebe sua amiga Pimpolha para dormir em sua casa, mas é proibida de assistir TV pela sua mãe. As duas meninas não sabem o que fazer. Enquanto esperam, contam apenas com um baú, algumas tralhas e a imaginação para o passar das horas. Inicialmente, sem a televisão, tudo parece sem graça e monótono, porém ao longo do tempo, percebe-se que há muito que fazer quando crianças podem ser apenas crianças.

 

Ficha Técnica

Direção e Dramaturgia: Fábio Castilhos
Elenco: Caroline Falero e Giovanna Zottis
Trilha Sonora: Sergio Baiano
Figurino: Caroline Falero e Giovanna Zottis
Cenário: Anderson Balhero
Iluminação: Bruna Immich
Realização: Grupo Trilho de Teatro Popular
Faixa Etária: Livre para todas as idades
Duração: 55 minutos

 

Crítica

“O Baú - Lembranças e Brincanças” - Trabalho sério, espetáculo divertido.
Por Rodrigo Monteiro

Um espetáculo para crianças que diverte todo mundo enquanto ensina os adultos a conhecerem melhor aqueles que ainda não o são. (...) As duas atrizes estão excelentes nos papéis que executam, dando vida a figuras cheias de nuances, características marcantes, pontos a descobrir. (...) “O Baú – Lembranças e Brincanças” foge dos clichês e enfrenta o desafio de se reinventar a cada nova cena. (...) Com o coração aberto ao que está diante delas, sou testemunha de que as crianças vibram na plateia com cada gesto feito em cena. Quanto aos adultos, são as lembranças que vibram a partir dessa produção tão cheia de méritos.

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Um espetáculo para crianças que diverte todo mundo enquanto ensina os adultos a conhecerem melhor aqueles que ainda não o são. "O Baú - Lembranças e Brincanças" não traz uma história ao seu público, mas parte do princípio das possibilidades criativas de uma situação determinada. No caso, duas meninas estão num sótão da casa de uma delas. Nele não há televisão, vídeo game e nem celular. Em contrapartida, há um grande baú e muitos brinquedos antigos. A dramaturgia se constrói sobre a difícil tarefa de vencer o tédio que paira na vida das duas confinadas, em cujas cabeças nem passa a ideia de brincar de bonecas ou de casinha, como os adultos na plateia poderiam pensar. O jogo é constantemente renovado na representação da peça que dura um pouco menos de uma hora.

Com texto e direção de Fábio Castilhos, o novo espetáculo do Grupo Trilho, que já elogiosamente montou “A Decisão”, de Brecht, é fruto de uma intensa pesquisa sobre o universo das crianças de hoje. O assunto, as brincadeiras, as piadas, as preferências estão todas concretizadas no palco, nas relações que se estabelecem entre as personagens de Caroline Falero e Giovanna Zottis. As duas atrizes estão excelentes nos papéis que executam, dando vida a figuras cheias de nuances, características marcantes, pontos a descobrir. Uma vez que não há uma história que faça evoluir uma narrativa, o sucesso do trabalho depende quase inteiramente do desempenho das atrizes. E ele acontece, prova de que o público de Porto Alegre está diante de um belo trabalho de interpretação.

“O Baú – Lembranças e Brincanças” foge dos clichês e enfrenta o desafio de se reinventar a cada nova cena. O ritmo, como não poderia deixar de ser, não é constante e crescente, mas cheio de quebras. A cada novidade dramática quem está em cena precisa reconquistar a atenção do público que se perdeu com o fim da última brincadeira. Como cada “quadro” tem tamanho diferente, a evolução sofre baixas, mas recebe ganhos. No centro do palco, como já foi dito, está um grande baú cadeado. Nas laterais, brinquedos antigos. Todo o universo é, assim, potente, pois olhamos para esses materiais e esperamos que eles sejam usados em um dos quadros. Embora não seja um diretor experiente, Castilhos age como tal quando usa essa espera a favor da montagem, dosando com habilidade todas as ações que acontecem em volta desses objetos e os possíveis usos que eles podem ter.

A produção é simples. Não há grandes movimentos de luz, uma trilha sonora que realmente chame a atenção (essa composta especialmente para o espetáculo) e um cenário e figurino além do esperado. Todas essas opções, enquanto estéticas, fazem ver que o que interessa é realmente a relação das duas meninas com o tempo que, às vezes, parece passar rápido, às vezes não. Dessa forma, pode-se dizer que o objetivo foi plenamente atingido e indicar a possibilidade de uma metáfora entre esse pequeno recorte na vida de duas crianças e a infância inteira.

Com o coração aberto ao que está diante delas, sou testemunha de que as crianças vibram na plateia com cada gesto feito em cena. Quanto aos adultos, são as lembranças que vibram a partir dessa produção tão cheia de méritos.
Texto publicado originalmente em: http://teatropoa.blogspot.com.br/2011/10/o-bau.html



O Baú- Lembranças e Brincanças – RS
Por Diego Ferreira

"O Baú- Lembranças e Brincanças" do Grupo Trilho de Teatro Popular de Porto Alegre se configura como uma pequena obra prima. (...) A trilha sonora de Sérgio Baiano é uma delicia e auxilia muito na ambientação da cena. (...) O espetáculo diverte e faz pensar, não se limitando a explicar o mundo, ou até mesmo transformá-lo, mas através da cena propõe uma tentativa de mudança de ótica, abandonando qualquer tipo de tom panfletário ou educativo. (...) As duas atrizes estão ótimas em cena, triunfam e conseguem de forma verdadeira dar vida a Dindim e Pimpolha (...) "O Baú" se caracteriza por ser um trabalho onde cada artista envolvido executa sua função muito bem, resultando num ótimo trabalho.

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"O Baú- Lembranças e Brincanças" do Grupo Trilho de Teatro Popular de Porto Alegre se configura como uma pequena obra prima.

O espetáculo é o primeiro encontro do Grupo Trilho com o público infantil, e esse encontro é potente e torna-se uma grande celebração, uma troca verdadeira entre palco e plateia. "O Baú" se utiliza de uma estrutura dramatúrgica bastante simples aparentemente, mas que ao decorrer do espetáculo se revela potente e complexa, por colocar em cena a história de duas meninas que lutam para vencer o tédio. O texto é repleto de méritos, pois além de trazer a tona uma série de brincadeiras nostálgicas que remetem as crianças de hoje, as crianças que fomos, consegue nos trazer jogos e significados que me remetem aos jogos de aprendizagem, pratica de Brecht, digamos o mentor e guia do Grupo Trilho.

Como já conheço a prática do grupo, estava ansioso para ver como que seria a inserção de uma possível estética brechtiana e de temas políticos num espetáculo infantil. Minha ansiedade transformou-se em êxtase, ao ver que a dramaturgia triunfa ao conseguir trazer a tona diversas questões que criticam o mundo atual, através da ótica de duas crianças, temas que não deixam de criticar a atual infância, mas que se utiliza de sutilezas, tornando toda a narrativa leve e engraçada.

A encenação é simples, ágil, despojada, os cenários são poucos, mas estão a serviço da cena, destacando-se a grande janela que auxilia na ambientação do sótão. Os figurinos são simples, mas condizentes com a proposta. A iluminação de Bruna Immich é pontual, pois delimita e caracteriza o espaço da encenação e ainda atua como um alerta nas cenas de narrativa, mostrando para nós que a cena ao qual estamos assistindo é teatro, é teatral, ora entramos na história, ora retornamos para a realidade, e esse corte é essencial para um maior entendimento deste jogo. A trilha sonora de Sérgio Baiano é uma delicia e auxilia muito na ambientação da cena.

O grande mérito da direção foi o de não desmerecer a inteligência do espectador, criando uma cena aberta, utilizando-se de elementos do teatro épico e didático que caracteriza-se pela narração e o diálogo direto com o espectador, onde as atrizes despidas de suas personagens nos apresentam suas histórias, lembranças e memórias. O espetáculo diverte e faz pensar, não se limitando a explicar o mundo, ou até mesmo transformá-lo, mas através da cena propõe uma tentativa de mudança de ótica, abandonando qualquer tipo de tom panfletário ou educativo.

As duas atrizes estão ótimas em cena, triunfam e conseguem de forma verdadeira dar vida a Dindim e Pimpolha. A cumplicidade que existe entre as duas é fundamental para o jogo proposto. Uma entrega muito grande diante do ritmo vertiginoso que o espetáculo tem. Mesmo dizendo que as duas estão ótimas, penso que em alguns momentos Caroline Falero consegue aproveitam melhor o jogo, se sobressaindo a sua colega Giovana Zottis, mas isto ocorre em alguns momentos, pois as duas atuações estão dentro de uma unidade que eleva a qualidade do trabalho.

"O Baú" se caracteriza por ser um trabalho onde cada artista envolvido executa sua função muito bem, resultando num ótimo trabalho, demonstrando o bom momento que vive este jovem grupo gaúcho, que se continuar assim, ainda colherá muitos frutos.

Texto publicado originalmente em: http://olharesdacena.blogspot.com.br/2012/11/o-bau-lembrancas-e-brincancas-rs.html



"Quando eu crescer, não quero ser adulto"
Crônica de Ana Campo

A espontaneidade infantil de Caroline Falero e os tipos hilários apresentados por Giovanna Zottis garantem não somente criatividade e inventividade às personagens como a toda a trama que, intencionalmente, sem excessivos recursos técnicos e grandiloquentes histórias, apresenta um espetáculo tocante, cômico e que atinge seu objetivo de comunicação com as crianças resultando também imperdível para adultos. (...) A peça, como todos os trabalhos produzidos pelo Grupo Trilho, acaba por ser uma metáfora de como diversão, sonho, verdade, emoção, reflexão, podem ser atingidos de maneira simples (...) Ver e fazer "O Baú" é propor um divertimento mais subjetivo, inventivo e saudável para crianças e crianças que viraram adultos.

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Só as mães de atrizes como Giovanna Zottis e Caroline Falero podem reviver passagens marcantes e emocionantes da infância de filhas já adultas ao vivo e a cores (como na TV, HD).
E lá estavam elas, olhos rasos d'água, no final de semana de estreia de "O Baú - Lembranças e Brincanças". O sábado era das crianças no Centro Municipal de Cultura, Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues, e elas vieram com tudo. Entre pais e filhos mais de uma centena de pessoas.

Finalmente em cena, Dindim e Pimpolha, as meninas que num sótão - lugar não comum para nossas crianças ao mesmo tempo lugar comum para o teatro - se veem afastadas dos recursos tecnológicos que garantem a diversão da maioria das crianças deste país: televisão, videogame, celular, computador. Essa "privação" trata-se, como fica claro para as crianças ao final da trama, de uma tentativa da mãe de Dindim de propor um divertimento mais subjetivo, inventivo e saudável à filha.

A espontaneidade infantil de Caroline Falero e os tipos hilários apresentados por Giovanna Zottis garantem não somente criatividade e inventividade às personagens como a toda a trama que, intencionalmente, sem excessivos recursos técnicos e grandiloquentes histórias, apresenta um espetáculo tocante, cômico e que atinge seu objetivo de comunicação com as crianças resultando também imperdível para adultos.

A peça, como todos os trabalhos produzidos pelo Grupo Trilho, acaba por ser uma metáfora de como diversão, sonho, verdade, emoção, reflexão, podem ser atingidos de maneira simples sem as ciladas de um teatro baseado no exagero de elementos cênicos, recursos midiáticos excessivos e, quase sempre, com prazos comerciais.

Ao longo de quatro dias de apresentações gratuitas, sendo que, dois dias foram dedicados ao público em geral e os outros dois a escolas ou ong's previamente agendadas, a reação do público variou sempre, mas nunca na expectativa interessada dirigida à peça que conta com sensível e gostosa trilha sonora de Sergio Baiano e iluminação funcional de Bruna Immich, aliás, para as crianças a melhor iluminação parece ser mesmo a falta desta nos segundos iniciais da peça, vão ao delírio.

Se sábado era dia de estreia para o grupo, domingo era dia de estreia para Enzo - dois anos e meio - que, pela primeira vez, via uma peça de teatro. Foi durante uma das brincadeiras de Dindim e Pimpolha que, desde o público, ele derreteu a mim e aos pais: tô loco pra ir lá!
Se os pais que acompanham os filhos se divertem e sorriem praticamente todo o tempo, é quando Pimpolha reclama: “... os adultos ficam o dia inteiro trabalhando sem dar atenção às crianças e quando dão ficam bravos..." que as crianças se matam de rir dos pais, que desta vez, ficam sérios, ui, meus calos...

Na hora da música mais conhecida das crianças, Borboletinha, o coro é espontâneo, uníssono, meigo!

As campeãs de risos são, claro, as piadas que falam do pum que escapou, do chulé da princesa, rsrsrs. Os aspectos fisiológicos tão moralizados pela sociedade vigente acabam por ser objeto de descarga coletiva quando exorcizados, no caso dos adultos é o sexo, mas o chulé e o pum também fazem sucesso.

A orientação de Fábio Castilhos, numa perspectiva de direção participativa, deu objetivo à sequência das inúmeras narrativas, estados de ânimo e brincadeiras colocadas em cena durante 55 minutos.

Em apenas quatro dias de apresentação "O Baú" já coleciona ótimas críticas, inclusive do pessoal encarregado da faxina do teatro: vocês deixam tudo organizado, que bom trabalhar assim.
Para provar que somos crianças grandes e tão presos à tecnologia quanto as crianças que retratamos, após o espetáculo protagonizamos uma cena e tanto no café do teatro. Foto para cá e foto para lá, Laerte resolve enviar por bluetooh um dos registros para o celular de Giovanna, mas a foto não chega nunca, ao que vem alguém lá da outra mesa: são vocês em meu celular! O homem que havia aceitado a foto acreditando ser de seu irmão (também Laerte!) veio logo desfazer o engano.

Ver e fazer "O Baú" é propor um divertimento mais subjetivo, inventivo e saudável para crianças e crianças que viraram adultos.